Sobre sonhos, ilusões e mentiras
Enviado em 18 de Fevereiro de 2010
Publicado por Claudio Quintino Crow | Enviar por e-mail
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Momento de felicidade plena; uma viagem, uma paixão, um presente…

Nessas situações, o mundo parece girar de forma diferente: somos o centro, tudo gira num ritmo perfeito, aparentemente planejado pelos deuses para que desfrutemos desse momento.
Tudo é mágico, perfeito, como se fosse… um Sonho.
Como tudo no universo, o momento passa. Por ser sempre mágica, a vida segue - ela não pode ficar parada para que prolonguemos artificialmente a sensação boa.
A viagem acaba, a paixão esfria, o presente cai no trivial…
Tendemos a achar que tudo que antes era poético, belo, puro, agora parece exagerado, falso, ilusório.
A viagem nem foi assim tão boa, o objeto da paixão nem era assim tão especial, o presente nem era assim tão belo…
Mas afinal, depois de passado o momento encantado, qual é a verdade: a beleza do sonho ou a melancolia da ilusão?
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A determinar a resposta, como sempre, a nossa opção individual.
Quando a vida nos traz um momento desses, em que o sonho parece se desfiar e vergar sob o peso da realidade, a maioria de nós tende a reagir de forma semelhante: como a Raposa diante das uvas, nós desdenhamos de nós mesmos, desprezamos o sentimento e a importância da emoção vivida.
Covardemente, chamamos o Sonho de Ilusão.

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Pura auto-defesa: não queremos nos mostrar vulneráveis diante do “insucesso”, do “fracasso”, do “fim”.
Pura demagogia, também: afinal, a vida é feita de mudanças, e se a importância de algo que antes era belo e rico dá lugar a outras coisas, ou se é posta em perspectiva após um tempo, ou ainda se simplesmente não temos, por qualquer razão, como manter acesa a chama mágica do que era um sonho, é porque tudo muda, tudo evolui, tudo se transforma.
E é aqui que caímos na trivial armadilha: a experiência bela deixa de ser Sonho, agora a rotulamos como Ilusão… como se tivéssemos de alguma forma estado ‘cegos’ à ‘realidade’.
Por covardia, pelo comodismo da vitimização, diminuímos a a importância da experiência, anulamos sua beleza, ignoramos os ganhos…
Reduzimos o Sonho - motivador, perfeito, divino - a um momento de fraqueza, de confusão. “Não as quero comer, estão verdes.”
Triste forma de lidar com a Sacralidade dos momentos….
A vida é feita de sonhos. Alguns tornamos realidades, outros não. Assim é. Assim somos. Assim sonhamos.
Nada é mais saudável do que o Sonho - ao sonhar, damos voz a nossas almas em seus anseios mais profundos. Ao sonhar, reconhecemos a magia e a sacralidade da vida e de suas intermináveis interconexões.
Quando tornamos reais nossos sonhos, quando os vivenciamos em momentos que desafiam a lógica do tempo, então tocamos profundamente a sacralidade da própria vida. Vivemos a bem-aventurança.

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Como tudo passa, alguns sonhos ficam para trás - para dar lugar a outros, ou para amadurecerem, ou para se reciclarem e assumirem novas formas.
Mas Sonho e Ilusão são coisas distintas: confundir um com o outro é danoso, tira da vida a poesia, anula a magia. Desrespeita o momento mágico e sagrado vivido. Fecha o caminho para novos momentos mágicos.
Nunca um Sonho vivido deve ser chamado de Ilusão.
E jamais um Sonho vivido é uma mentira.
Se ele passou, se ele acabou, é porque cumpriu sua função e deve transformar-se noutra realidade. Mas nunca numa mentira.
Sonhos são o alimento da alma;
Ilusões são o alimento da confusão;
Mentiras são o alimento da miséria.
Após ver frustradas as suas tentativas de saborear as belas uvas maduras que pendiam da videira, a Raposa disse: “não as quero, estão verdes”.
Transformou o Sonho em mentira: privou a alma de seu alimento, envenenou-a com a Miséria.
Precisamos fazer as pazes com o Sonho.
Eu vivo belos sonhos. E se deles desperto, é porque assim deve ser. Nem por isso, ao lembrar deles eu os vejo como mera ilusão, menos ainda como mentira. Ao contrário: é o reconhecimento posterior da magia e da sacralidade do Sonho que preserva sua força e nos torna mais aptos a viver em eterna transição entre o Sonho e a Realidade.
Mas não são ambos um só?


Ei, esse texto veio em uma excelente hora. às vezes a gente até sabe, mas muitas vezes nos esquecemos. Obrigada por ativar minha memória…rsrsrs
Beijos sonhadores e reais.
Esse texto foi providencial. Obrigado
Muito bom, vem total de encontro com coisas já experimentadas.
Como dizia um professor meu da facul: Mantenha a realidade dos seus sonhos.
Bjoka
Sempre penso que vamos perdendo nossos sonhos nos caminhos dessa vida -E assim vamos vivendo um pouco dos nossos sonhos e muito da realidade-as vezes penso que os deuses querem nos confundir-
Mil beijos em seu coraçao
EU VIVO OS SONHOS PORQUE MESMO NO PASSADO UM DIA FORAM REAIS, TÃO REAIS QUE TEM CHEIRO,OLHARES, CORES,GOSTOS…SONHOS NUNCA SÃO MENTIRAS,o perigo é como você meso disse…torná-las ilusões.
LINDO TEXTO,PARABÉNS!
Saudações Plenas!
Isa Falcon.
….
A complexidade dos homens por vezes os impede de perceber a simplicidade da vida …e entao nos…galopamos em busca das ilusoes e nao compreendemos que os sonhos sao passiveis de serem saboreados literalmente ou nao…
Obrigada, por me permitir sonhar ao ler tamanha sabedoria
…