Instrutores Sagrados
Enviado em 15 de Outubro de 2009
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Instrutores Sagrados

“O termo ollamh, na prática, equivale a doutor, professor, ou instrutor de qualquer ramo da Filidecht (a tradição bárdica) ministrado nas escolas superiores. Implica num professor de conhecimento, cujo ofício é transmitir esse conhecimento. O direito a essa distinção era adiquirido após um estudo de doze anos, “trabalho duro”, seguido de um exame público; e a distinção era formalmente concedida pelo rei ou chefe distrital, após o que o ollamh adquiria status semelhante ao de rei ou chefe na ordem de precedência, era respeitado pela comunidade e altamente favorecido pelas leis.”
Assim o escritor irlandês Laurence Ginnell descreve a função do ollamh na sociedade da Irlanda celta em seu livro The Brehon Laws, de 1894 (mil oitocentos e noventa e quatro).
FUNÇÃO SAGRADA
Para os irlandeses, aquele que transmite conhecimento desempenha uma função sagrada, divina - daí a alta estima a eles dedicada pelas leis da Irlanda celta (as Leis Brehon mencionadas). Aprender, assimilar, compreender, transmitir e preservar as tradições e a cultura de um povo é, de fato, algo sagrado e mágico. O longo período dedicado a esse processo - “doze anos” - pode trazer espanto a quem se depare com essa informação, mas mais importante do que o tempo cronológico é o que era feito durante esse período. A memorização da história da tribo, a linhagem de seus reis e rainhas, heróis e heroínas… a preservação dos valores sócio-culturais e espirituais através dos mitos e lendas… a preparação do futuro pela instrução das gerações mais jovens… Historiadores, professores, instrutores, educadores. Sagrados.
Em minha jornada até aqui, tive contato com muitos desses seres divinos, sagrados: John Matthews e Emma Restall Orr, por me terem transmitido diretamente uma tradição espiritual rica, bela e inspirada; mas antes deles, muitos outros - a começar por Maria minha mãe, professora por ofício e devoção, e que com seu amor me ensinou a aprender - e também a ensinar. Por tudo isso, será para sempre meu modelo de educadora.
Quis o caminho que eu encontrasse muitos educadores apaixonados pelo que faziam - e, portanto, apaixonantes em sua devoção ao ensino. Sendo injusto com os outros que restam sem menção nominal, mas justo com estes que se destacaram, cito Arnon Hollaender que, nas ‘catacumbas’ do Colégio Objetivo da Av. Paulista, diante de um Claudio adolescente e ainda tateando nos caminhos da vida, identificou minha propensão para o inglês e profetizou, “você ainda vai ser professor de inglês”… à época, só me cabia rir e deboxar: como eu, autoditada em quase tudo e tão avesso ao ensino formal, me tornaria logo “um professor”? Dito e feito: dez anos depois lá estava eu numa sala de aula da Cultura Inglesa, pela primeira vez “do outro lado” da mesa do professor…
Na Cultura Inglesa, aliás, encontrei-me com uma professora não de inglês ou de metodologia, mas de vida: minha querida amiga Marta Matravolgyi…
Moacyr Morais, Ed Pelizzari, Jorge Hosomi, Patricia Fox - todos esses me ensinaram, de alguma forma, a ser quem eu sou, a melhor desempenhar minha atual função de instrutor. E claro, meu velho pai Oswaldo, que tanto me ensinou e ainda ensina através de seus erros e acertos, mostrando direta ou indiretamente o que eu quero e o que não quero ser…
Minha mais nova professora se chama Brigitte - pacientemente, a cada dia ela me ensina aspectos diferentes e antes impensados do que é o amor…
Da mesma forma, muito aprendo com todos os meus alunos em cursos - de hoje e de ontem - que, com suas questões e dúvidas, me levam além, me põem a pensar, me fazem pesquisar e questionar e aprender mais sobre o que transmito. Para um instrutor, alunos são os melhores professores…
Todos estes são, de certa forma, meus ancestrais - pois me moldam e me fazem ser quem eu sou. E ancestrais são sagrados, são mágicos.
Professores, poetas, instrutores, músicos, mestres, instigadores, heróis, desafiadores, deuses, amores… A todos que me ensinam, arde hoje uma vela especial: uma pequena chama, que reflete e simboliza a chama do saber que, transmitida, jamais diminui, sempre aumenta.

Claudio Quintino Crow
“Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. ” ~ Samuel Beckett
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Aloha!
*Lá vou eu comentar em seu blog mais uma vez. Sem resposta? Eu mesma me respondo, apesar de eu estar um pouco decepcionada com o post anterior…*
Tenho saudade dos meus professores, professores de vida, não só de conhecimento. Apesar destes últimos também terem me marcado também.
Oh, eles sempre me entenderam um pouco mais que o resto da sala! Sempre convivo com gente mais velha que eu, e acabo sendo incompreendida em ambos os lados.
Faz parte da vida.
Ensinar é algo sagrado. Seria por isso que Historiador e Professor de História andam tão… Próximos?
Quando falo que quero fazer História, pensam q eu quero ser professora. De início eu até me ofendia, pois não é a mesma coisa. Realmente, não é a mesma coisa, só que agora olho com bons olhos essa profissão, e não veria problema se eu o fizesse, se eu a amasse e a queresse…
Aloha!