Dia da Terra
Enviado em 23 de Abril de 2008
Publicado por Claudio Quintino (Crow) | Enviar por e-mail
| Hits para esta publicação: 263
Soninha - jornalista, apresentadora, vereadora, pensadora, mãe, mulher, cidadã - escreveu em seu blog:
“Quer dizer então que no Dia da Terra, ela tremeu?”
(para os que não sabem, registrou-se um abalo sísmico em SP, 5.2 na escala Richter)
Perfeito. Tremeu, sim - apesar de eu não ter sentido (Peraí, eu tenho sentido, só não senti o abalo).
Põe a pensar, especialmente aqueles que acham que o Brasil é uma terra livre de catástrofes naturais - até costumava ser, mas as coisas mudam, na Terra. Ela muda. E faz mudar.
Põe a pensar também porque ocorreu justamente no Dia da Terra…
Meses atrás, representantes de diversas tradições espirituais assinaram a “Carta Pagã da Terra” em evento na Assembléia Legislativa de SP - tive a honra de ser convidado a assinar a Carta como representante do druidismo no Brasil. Naquela ocasião, todos os presentes se comprometeram a se por em ação - cada qual a seu modo, respeitadas as diferenças. Cada tradição pagã - xamanismo, bruxaria, druidismo, asatru, wicca - deveria, nessa data, celebrar seus rituais, promover ações, encaminhar suas preces, “good vibes” e o que mais em nome da fonte de tudo que há e que é: a Natureza.
Num movimento belamente desordenado - ou seja, espontâneo e voluntário, cheio de vontade e disposição -, alguns dos signatários da Carta Pagã da Terra se reuniram um dia antes, num Parque de São Paulo, para unir suas preces e seus corações, suas vozes e seus tambores, numa cerimônia de cura da Terra (é sempre bom ver ação num universo tão afeito ao discurso e ao embate).
Foi tocante para todos nós, naquela tarde/noite, sentir que não estamos sós. Ao ler o blog da Soninha, percebi que realmente somos mais do que calculamos.
Há bastante pagão por aí agindo, pondo a mão na massa, “sujando o avental”. Mas - é bom que se reconheça - tem muita gente que sequer imagina que há pessoas por aí se chamando de bruxos, pagãos, druidas, mas que compartilha da mesma preocupação com o que o destino reserva ao planeta, suas criaturas, hábitats, nós.
Termino com outro trecho do blog da Soninha - não consigo pensar em nada melhor para falar do Dia da Terra a uma “audiência” pagã:
“Não devemos jamais perder de vista o impacto de cada uma de nossas escolhas. E são milhares de escolhas por dia, ainda que não nos demos conta de todas elas. É muito fácil minimizar o impacto de um gesto preguiçoso, irrefletido e irresponsável – “Ah, é só uma bituca, qual é o problema de jogar no chão?”. Também é fácil menosprezar o impacto de um gesto valioso, como apagar uma lâmpada acesa à toa ou carregar o bendito papel de bala até que apareça uma lixeira.
Se estivéssemos sozinhos na Terra, talvez não fizesse mesmo muita diferença. Como somos bilhões, não podemos nos dar ao luxo de ignorar a conseqüência de cada gesto. Parece contraditório, não parece? Se somos bilhões, que diferença faz a atitude de um indivíduo? Aí é que está a “pegadinha” – na acumulada, faz toda a diferença do mundo.”
De novo, eu digo: “precisamos de mais Soninhas”.
Claudio Quintino Crow /|\
www.claudiocrow.com.br
www.druidnetwork.org/br