Arte, Espírito e Inspiração
Enviado em 20 de Março de 2005
Publicado por Claudio Quintino (Crow) | Enviar por e-mail
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Os maçons foram os primeiros a chamar suas práticas de “A Arte”; atualmente, wiccanos e bruxos modernos também se referem a suas crenças e práticas por esse termo. Houve um tempo em que tudo era “Arte”, todas as ações do universo humano a agricultura, a cerâmica, a medicina tudo era permeado pela inspiração, componente fundamental de toda forma de arte.
No xamanismo e no druidismo, essa inspiração tem de estar presente no dia-a-dia do praticante: em seu trabalho, em sua alimentação, em sua prática ritual, em seu sono é o que podemos chamar de levar uma vida verdadeiramente inspirada. Os druidas até hoje se valem de uma antiga palavra do idioma galês para descrever essa inspiração sagrada: Awen, “o espírito que flui através de nós”, a inspiração que jorra em nossas vidas e nossos atos.
A produção do artista seja ele um músico, um poeta, escritor ou escultor é fruto de sua inspiração, é a manifestação de seu contato íntimo com a fonte de inspiração. Os gregos personificavam essa inspiração na figura das Musas de onde vem a palavra música. Mas não são só aqueles que produzem arte no sentido moderno da palavra que podem se sentir inspirados de um médico a uma dona de casa, de um professor a um policial, seja qual for a nossa ocupação, todos nós podemos devemos agir de forma inspirada e inspiradora, transformando em arte tudo aquilo que produzimos.
Nos mais diversos caminhos espirituais, a arte sempre exerce um papel importante nos ritos. Das equilibradas combinações de cores formas dos yantras indianos à harmonia dos cantos gregorianos, das intricadas iluminuras dos manuscritos árabes ao ritmo dos tambores dos xamãs, do colorido mágico dos vitrais das catedrais às colossais estátuas dos deuses gregos, a busca do belo pela arte propõe um estado de enlevo que toca, inspira e comove o seguidor de qualquer uma dessas espiritualidades é a busca do estado de consciência alterada, do êxtase ritual, da elevação do espírito que a arte nos proporciona.
Enxergar essa mesma “arte” no nosso dia-a-dia numa árvore, num livro, na chuva que cai, no riso de uma criança é a chave para a inspiração de nosso espírito. E espíritos inspirados pela arte só podem produzir mais arte. Verdadeira Arte. Com A maiúsculo.
(© 2005, Claudio Quintino - Proibida a reprodução total ou parcial da obra sem a prévia autorização por escrito do autor. Lei Federal 9.610/98.)