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St. Patrick’s Day @ Cultura Inglesa - Vila Mariana!

CLAUDIO CROW traz o melhor da IRISH MUSIC para celebrar ST. PATRICK’S DAY, o dia nacional da Irlanda (convidado especial: Rogerio Borrego)
2008 Shebeen 1 - 2008 Shebeen 1
Dois shows super especiais, no auditório da Cultura Inglesa - Vila Mariana.

VAGAS LIMITADAS!

RESERVAS ANTECIPADAS NA SECRETARIA: (11) 5549-1722

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IRISH MUSIC @ Cultura Inglesa:

Dias 15 e 16 de março, às 20h

Rua Madre Cabrini, 413 (ao lado do Metrô)
São Paulo - SP 04020-000
Tel: (11) 5549-1722

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Revisitando o Dia da Mulher…

Num velho texto (2004) sobre o Dia Internacional da Mulher, entitulado “Feminino e Masculino - em busca do equilíbrio“, expus minha visão de então sobre a questão do Feminino em nossos dias.

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Tenho por hábito reler meus velhos textos, para avaliar o quanto meus pensamentos se transformam ou permanecem os mesmos, o quanto minhas ideias evoluem ou se mostram estáveis.

Em pleno Dia da Mulher 2010, convido @ amig@ a viajar no tempo e revisitar aquele artigo. Vamos lá?
Começa assim…

Ninguém há de negar a importância da mulher na sociedade - seja na intimidade do lar, seja no mercado de trabalho, seja ainda na condução dos destinos da comunidade. Poderíamos passar horas citando exemplos de mulheres que contribuíram para a formação dos conceitos modernos na medicina, na educação, até mesmo na política - um cenário absolutamente masculino onde as poucas mulheres presentes atuam, no mais das vezes, de forma idêntica à de seus colegas homens, tanto no Brasil como em outros países.

Interessante pensar nisso num ano em que a atuação das mulheres na política se mostra mais presente.

No Brasil, temos no momento duas pré-candidatas à presidência da república: uma com um discurso e uma atuação totalmente pautados pelo arquétipo masculino (confronto, conflito, conquista) e a outra que faz de sua plataforma algo tão arquetipicamente feminino que seu discurso parece nem ser político: meio ambiente, natureza, educação… pode parecer exagero, mas duas mulheres hoje polarizam o cenário político brasileiro num confronto que transcende a disputa política e partidária e atinge em cheio os níveis mais profundos do simbolismo masculino-feminino, animus/anima

Do ponto de vista psicológico, uma hipotética vitória da primeira manteria o status quo atual, centrado em valores masculinos; por esse princípio, qualquer outro candidato, aliás, é continuísta - a única alternativa realmente diferente (não melhor, nem pior, mas diferente) seria a eleição daquela cujo discuros de fato encarna os princípios femininos do cuidado com a casa, com a tribo, com a natureza. Sintomático.

Afinal, não se trata simplesmente de se eleger uma mulher para algum cargo, se esta age e pensa como homem…

Uma verdadeira revolução seria eleger alguém - homem ou mulher, pouco importa - com uma mentalidade voltada para os valores do Feminino.

Está mais do que na hora de deixar de lado o embate entre os sexos e devover à relação masculino-feminino aquilo que ela tem de mais natural: a atração para fins de parceria.

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Voltemos ao texto de 2004:

Apesar de tudo, no entanto, ainda precisamos de uma data como o Dia Internacional da Mulher para reconhecer essa importância. Existe uma certa indignação implícita na data, pois se o dia 08 de março é o Dia Internacional da Mulher, de quem seriam os outros 364 dias do ano?

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Eis um ponto interessante. Nossa cultura atual é voltada para a “inclusão” das minorias: execramos qualquer tipo de discriminação por sexo, etnia, idade, etc. Ao mesmo tempo, contudo, usamos diversos mecanismos que fomentam essa divisão - dias de minorias, paradas de minorias, quotas para minorias… cinismo puro ou esquizofrenia cultural?

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De volta a 2004:

Seja na Antigüidade - por exemplo, entre os celtas da Europa primitiva ou no Antigo Egito - seja nos dias de hoje, nos mitos de culturas ditas “primitivas” (como os Maori da Nova Zelândia) podemos perceber nas mitologias - e mitologias são as religiões desses povos - uma relação de igualdade entre masculino e feminino. Deusas e deuses, heróis e heroínas - em equilíbrio e harmonia. Isso se reflete nas sociedades que seguem essa espiritualidade.

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Em minha apresentação no I Simpósio de Estudos Celtas e Germânicos na UFRJ, em 2005, apresentei uma abordagem do estudo da cultura celta (válido para qualquer cultura) em que o conhecimento de uma determinada mitologia (no caso, a celta) só é possível se conhecermos seus valores sócio-culturais, e o inverso também se aplica: só podemos compreender as motivações sociais de uma cultura quando mergulhamos em sua cosmovisão mitológica.

Pelo mesmo prisma, para entender as raízes dos desafios enfrentados pela mulher contemporânea é preciso compreender a mitologia sobre a qual se estrutura a nossa sociedade moderna.

Não se trata aqui de avaliar a riqueza ou a validade da espiritualidade dominante de nossos dias, mas sim de entender que efeitos os mitos, valores e ícones dominantes dessa espiritualidade causam à mulher moderna, sua imagem, seus valores, seu papel.

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Se adotarmos somente a abordagem objetiva pautada em fatos, pode-se ter uma visão clara, porém superficial, das dificuldades encontradas pela mulher em nossos tempos - no mercado de trabalho, nos direitos, no lar - mas enquanto não questionarmos as origens mitológicas dessas dificuldades, enquanto não entendermos que as leis, os costumes e as práticas de nossa sociedade emanam de valores religiosos e espirituais seculares, enquanto isso não ocorrer a busca (chega de falar em luta!) por igualdade entre os sexos estará seriamente prejudicada.

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Mais um trecho do artigo de 2004:

Obviamente, uma cultura que acredite que tudo na Natureza possui uma face masculina e outra feminina - que se complementam - é uma cultura que preza o equilíbrio. Se eu pertenço a um povo que crê que deuses e deusas vivem harmoniosamente, eu reproduzo essa visão no meu dia-a-dia.

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Aqui, não importa se buscamos inspiração nos usos e costumes de uma cultura do passado, ou de outra dita primitiva, ou ainda que estejamos pela primeira vez introduzindo formas de agir e pensar inéditas na história da humanidade: o que importa é que sejamos capazes de fundamentar essa revolução de forma a consolidá-la para as gerações futuras.

Em outras palavras, não se trata meramente de olhar para o passado e dizer, “ah, na Era de Ouro é que era bom…

Nosso desafio é criar uma Era de Ouro agora, em que valores masculinos e femininos convivam em harmonia não só entre indivíduos, mas também no interior de cada um (microcosmo) e na sociedade como um todo (macrocosmo).

09 REBIS - 09 REBIS

Afinal, é da união sagrada do feminino e do masculino que surge o hierogamos grego, o despertar da kundalini hindu, o ser perfeito (andros + gymnos), o Casamento Alquímico.

Esta é a busca fundamental: o resto, diriam, é mero cosmético, mero detalhe.

Retornando ao artigo original:

O mito da Natureza como Mulher é forte e antigo. No Egito, Ísis é a grande mãe. Na Suméria, a deusa Inanna é a geradora da vida. Ishtar da Babilônia é a mesma. Entre os índios do Brasil, Guaraci é a Mãe Sol. Na Grécia dos filósofos, berço da cultura ocidental, Gaia é a Terra viva. A agricultura é a dádiva de uma deusa: Deméter. E assim por diante. A Natureza é sempre feminina.
Nosso planeta é vivo, como provam os estudos de James Lovelock, pesquisador inglês que nos anos 70 criou a Hipótese Gaia: “o Planeta Terra é um organismo vivo, auto-regulável e que reage ao que nós humanos fazemos a ele”
.”

10 Mother Nature by elestrial - 10 Mother Nature by elestrial

Em tempos de tantos tremores de terra, tsunamis, efeito-estufa, alterações climáticas radicais, parece redundante alertar para a necessidade de voltarmos a perceber a natureza (tanto a local quanto a global) como uma entidade viva e que, como tal, deve ser respeitada. Não se trata aqui de um respeito reverente nem de intimidade. Mas um respeito puro, de um ser vivo (eu, você, ele) por outro (o planeta, a paisagem, uma árvore).

Eis o paradigma a ser quebrado: a natureza não é mais “inimiga do ser humano”, como pregava a igreja e depois seus herdeiros bastardos iluministas; tampouco é o ser humano “guardião” da natureza, como dizem os bem intencionados ambientalistas: o ser humano é PARTE da natureza, a ela se mescla e com ela interage.

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Mais uma vez, 2004:

Por tudo que já dissemos antes, fica claro que o Feminino, a Mulher e a Natureza são na verdade uma única realidade. Não é por acaso que, até mesmo em nosso mundo ocidental, patriarcal tanto do ponto de vista social quanto do espiritual, a Natureza é chamada de Mãe… Afinal, Natureza é uma palavra latina que significa, literalmente, “aquilo que nasce”. A luta da Mulher por espaço e reconhecimento em nossa sociedade anda de mãos dadas com a luta de nosso planeta por um pouco mais de carinho por parte do mundo ocidental.

Se muitas mulheres na política são mulheres em tudo, menos no discurso e na postura, por sua vez muitos homens atualmente têm uma abordagem totalmente feminina no lidar com a questão ambiental - o nome deo ex-vice-presidente norte-americano Al Gore salta à mente - seu discurso é conciliador, sua preocupação é coletiva, sua ação é de cura. Obviamente, no mundo político isso é raro - tanto entre homens e mulheres.

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Mas Al Gore não está só, ao contrário: são mais e mais pessoas que entendem a necessidade de se rever posturas e valores na busca de um mundo mais harmonioso tanto para homens quanto para mulheres.

Afinal, como escrevi em 2004:

Precisamos rever nossos conceitos de superioridade. A mulher sofre porque durante séculos era uma cidadã de segundo nível. A Natureza sofre porque o ser humano julga-se superior às outras criaturas. Não somos superiores a ninguém. Somos todos parte de uma mesma criatura, a Terra - feminina, que nos gera, nos nutre e nos acolhe a todos humanos, cães, árvores, rios…

Durante séculos, a igreja relutou em reconhecer que a mulher também possuía alma: isso tem origem na misoginia de alguns dos pensadores que moldaram o cristianismo em seus primeiros séculos e que se perpetuou desde então. Eis a prova do quanto os mitos e a espiritualidade de uma cultura moldam nossa forma de ver o mundo, a vida, a si mesmo.

Em termos espirituais, a mulher era vista como “as portas para o inferno”, a “causa da queda” - os atributos arquetipicamente femininos - geração e manutenção da vida, educação, nutrição - foram tomados do feminino e artificialmente atribuídos ao masculino. As implicações psicológicas de uma visão espiritual que faz o feminino surgir de uma parte (”costela”) do masculino são brutais.

Isso se reflete em termos sociais, em que mulheres até recentemente eram vistas como ‘propriedade’ de seus pais, passando depois a ser ‘propriedade’ de seus esposos. Ainda hoje, há quem pense assim - e nem estou falando de culturas remotas no tempo ou no espaço, falo de uma realidade que permeia o pensamento de muitos que vivem nos grandes centros urbanos de nossos dias…

Menos mal que as leis modernas começam a mudar esse cenário, a igreja, finalente, reconheceu no século XIX (!) que a mulher tem, sim, uma alma…

Eis por que, para a maioria das pessoas, um cavalo, uma árvore e um rio ainda não possuem alma: o caminho será longo até que mais uma vez esses seres, como na “Hipótese Gaia” acima mencionada, sejam vistos como possuidores de uma vida, no mínimo, tão sagrada quanto a de um ser humano.

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Pelo visto, algumas coisas melhoraram desde que escrevi o artigo original seis anos atrás e agora. Mas muito, muito ainda precisa mudar.

Essa mudança deverá ser uma verdadeira revolução - e como todas as revoluções duradouras, ocorrerá - está ocorrendo - sem uma liderança, sem um manual de instruções, sem um livro doutrinário: livre e desimpedida, expontânea e fluida como as lendas dos povos primitivos, como as marés dos oceanos, como os ventos a acariciar os cabelos das mulheres e homens do mundo.

Termino com o mesmo parágrafo final de 2004:

Assim como humanos não são superiores às demais criaturas, o homem não é superior à mulher. Chegou a hora de desenvolver uma nova visão, uma nova mitologia, que nos torne capazes de perceber que as diferenças entre homem e mulher, na verdade, permitem que todos cresçamos. Em paz. Em harmonia. Em equilíbrio.

Feliz Dia do Feminino. Em Sagrada União com o Masculino.

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Ditados costumam ser ditados justamente por expressarem verdades inquestionáveis:

O pior cego é aquele que não quer ver“.

Da mesma forma, O PIOR COVARDE É O QUE NÃO AGE POR NÃO CRER QUE SUA AÇÃO TENHA EFEITO.

A “HORA DO PLANETA” é uma iniciativa mundial. Como toda revolução de resultado, começou simples, devagarzinho… ganhou impulso e cada vez mais surte efeito.

Não se deixe iludir pela apatia dos covardes. Aja. Seu gesto pode ser pequeno, mas é imenso quando somado aos demais.

HORAPLANETA - HORAPLANETA

No sábado, 27 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta.

Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global.

A Hora do Planeta começou em 2007, apenas em Sidney, na Austrália.

Em 2008, 371 cidades participaram.

No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, o movimento superou todas as expectativas.

Centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes.

Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor, o Congresso Nacional e outros ficaram uma hora no escuro.

Além disso, artistas, atletas e apresentadores famosos ajudaram voluntariamente na campanha de mobilização.

Em 2010, com a sua participação, vamos fazer uma Hora do Planeta ainda mais fantástica!

COMO VOCÊ PODE PARTICIPAR

Existem diversas formas de participação. A primeira delas é se cadastrar.

Clique aqui e informe os dados necessários. É bem rápido.

O cadastro dos participantes é a principal maneira que temos de avaliar quantas pessoas apagaram as luzes.

Os participantes brasileiros serão somados com os de outros países, formando uma grande corrente pelo futuro do planeta. Os nomes das empresas cadastradas vão aparecer na página Apoiadores neste site.

O próximo passo é espalhar a mensagem da Hora do Planeta para o maior número possível de pessoas. Convide familiares, amigos, colegas e membros da sua comunidade para participarem também.

Se você utiliza as mídias sociais, como Orkut, Twitter, Youtube e Facebook, use essas ferramentas para falar com os seus amigos.

Publique as notícias sobre a Hora do Planeta produzidas pelo WWF-Brasil.

Dê o link para vídeos e fotos sobre o movimento postados na internet.

MAIS AQUI: http://www.horadoplaneta.org.br/

(Este artigo é o primeiro de uma série que explorará as diferentes formas de relação com o sagrado observáveis numa vivência druídica. Como sempre, não se trata de uma realidade inquestionável, mas sim de um apanhado de percepções desenvolvidas a partir de anos de prática e estudos.)
Originalmente publicado no boletim interno da DRUID NETWORK em português (fev. 2010).

O Druidismo e as relações com o Sagrado
Parte 1: Druidismo e Sacerdócio

Toda religião/espiritualidade (aqui os termos possuem o mesmo significado) possui diferentes formas de relação com o sagrado, que variam entre si de acordo com fatores diversos, como o conceito de sagrado numa dada religião, a percepção individual do sagrado e a vocação desse indivíduo para o contato com o Sagrado.

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Druidas modernos celebrando em Stonehenge, GB

Há no universo neo-pagão moderno uma certa obsessão com a questão sacerdotal – e o druidismo não é exceção. Não é raro ver gente que deseja ser (ou já se intitula) “sacerdote” deste ou daquele caminho, muitas vezes em evidente contradição com o próprio significado da palavra ’sacerdote’ - e, pior ainda, excluindo quaisquer outras possibilidades de vivência do Sagrado como se o sacerdócio fosse a única forma válida.

(Não é objetivo deste ensaio analisar as origens facilmente identificáveis dessa obsessão - herança judaico-cristã, resquícios das ordens herméticas do século XIX, etc. - atendo-se ele somente à exploração das possibilidades de relação com o sagrado dentro do druidismo moderno.)

Assim, vamos iniciar pela definição do Sagrado dentro de um ponto de vista exclusivamente druídico.

Uma visão celta do Sagrado

Ao lado dos textos de autores gregos e romanos, os registros literários medievais da Irlanda e do País de Gales são a principal fonte de informação para conhecermos a espiritualidade celta, seus pontos de vista e suas práticas. Por definição, e levando-se em conta essas fontes, o druidismo é uma espiritualidade politeísta, animista e xamânica de origem européia – mais especificamente, segundo fontes clássicas como Julio Cesar, originária das Ilhas da Grã-Bretanha e Irlanda. Esta definição é importante para que possamos ter maior segurança na busca dessa percepção druídica do sagrado, e também para eliminarmos as distorções geradas em séculos mais recentes.

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Colina de Uisneach, centro sagrado da Irlanda celta

DEUSES E DEUSAS - Manifestações do Divino

Quando dizemos que o druidismo é politeísta, temos de ter em mente a multiplicidade de deuses e deusas cultuados pelos celtas da Antiguidade. Sempre de acordo com as fontes mencionadas, esses deuses e deusas não estão num paraíso remoto e distante (apesar de poderem ser encontrados também em terras mágicas), mas sim na própria paisagem – rios, o mar, montanhas, bosques, árvores individuais: cada uma dessas características da natureza é a ‘encarnação’, a manifestação física das deidades celtas.

O Sagrado na Paisagem

O Sagrado celta, portanto, é algo próximo, acessível, tangível. Isso por si só torna mais simples a vivência desse Sagrado, não necessitando o praticante de ‘atravessadores’ ou intermediários. Quem se banha num rio na Irlanda, por exemplo, não mergulha somente num corpo d’água, mas sim no ventre de uma deusa (Sionann no Rio Shannon, Bóann no Rio Boyne e assim por diante). O mesmo vale para outras características da paisagem irlandesa, como prova o Dindshenchas, ou “o conhecimento dos lugares notáveis” – uma série de versos maravilhosos que relatam a origem mágica dos nomes dos locais sagrados da Irlanda – ou seja, toda ela. Por paralelismo, e tendo por base os registros da etnografia e da arqueologia (para não mencionar a toponímia), podemos expandir essa visão dos celtas da Irlanda para outras terras outrora habitadas por povos celtas.

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Rio Shannon, Irlanda - manifestação física da deusa Sionann

Contato Direto

A ausência de templos no universo celta é outra prova dessa proximidade do sagrado – é sabido que os celtas da Gália só passaram a erguer templos após o contato e influência com as culturas helênica e romana (nem vou aqui mencionar o equívoco histórico - e hoje inaceitável - de se creditar locais como Stonehenge como ‘druídicos’ – sua construção nada tem a ver com os druidas celtas, a despeito das práticas de diversas ordens modernas).

O contato com as deidades celtas, como se pode ver, era feito diretamente, num nível pessoal – e a relação dos irlandeses com o Sagrado mantém, mesmo após a cristianização, essa característica individual e direta: o folclore da Irlanda é rico em registros de encontros pessoais com os espíritos de santos ou de ancestrais mortos – e até mesmo com a Virgem Maria e o Cristo. A rica tradição das lendas de viagem ao Outro Mundo - as imramma - são outro exemplo dessa proximidade, assim como a imagem da Avalon arthuriana e da cidade de Ys do folclore bretão.

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Mael Duin viaja ao Outro Mundo na célebre imram.

Tudo isso para enfatizar um ponto: no druidismo, a experiência do sagrado não depende da figura do sacerdote.

Em momento nenhum, contudo, isso quer dizer que não existisse essa figura na sociedade celta. Ao contrário, ela existia – e em diversas modalidades.

Druidas: muito mais do que meros sacerdotes

É comum atribuirmos ao druida a função sacerdotal, e esta é uma verdade – mas não toda a verdade sobre os druidas. Mais do que apenas sacerdotes, as múltiplas funções associadas aos druidas celtas dão conta de sua importância para a sociedade celta como um todo: filósofos, conselheiros de reis, juristas, profetas, curandeiros, historiadores – não é à toa que o Dr. Simon James, uma das maiores autoridades modernas em cultura celta, afirma que “os druidas eram o eixo ao redor do qual gravitava toda a sociedade celta.”

Rei Divino

Muitos estudiosos contemporâneos afirmam que, nas tradições celtas, várias das funções cerimoniais tradicionalmente atribuídas a sacerdotes eram desempenhadas pelo Rei tribal, cabendo ao druida um papel mais profundo. Então temos dois candidatos - igualmente válidos - ao papel de sacerdote arquetípico na sociedade celta: o próprio druida e o rei.

É fato que a figura do rei celta é muito diferente da nossa percepção atual – a começar pelo fato de que os reis eram eleitos pelo povo dentro de preceitos rigorosíssimos de conduta e capacitação. Afinal, o rei era o representante de toda a comunidade, aquele que intermediava a relação do povo com a terra – sagrada e viva – na qual viviam. Por outro lado, a função sacerdotal do druida é evidenciada em frases como a de Julio César, que afirma que os gauleses não celebravam nenhum ritual sem a presença de um druida.

Isso tudo está em perfeita consonância com a definição primordial da palavra ‘sacerdote’ – aquele que é treinado para desempenhar a função de ‘contato’, intermediando a relação entre os mortais e a divindade, o Sagrado.

Tendo isso mente, sabemos que, por definição, o sacerdote intermedia o contato entre o Sagrado e a Comunidade – e aqui, a ênfase na palavra ‘comunidade’ é a chave. O sacerdote celebra ritos públicos - ato facilmente encontrado nas lendas celtas sendo praticado tanto pelos druidas quanto pelos reis.

Maeve druid - Maeve druid
Visão romântica de um Druida celebrando ritual para a Rainha Maedbh

No mundo da espiritualidade celta, temos muitos exemplos de druidas presidindo os festivais sazonais de Samhain, Imbolc, Beltaine e Lughnasadh, assim como sabemos que, em diversas lendas, quem desempenha essa função sacerdotal é o rei (não está em questão aqui se essa função era mais desempenhada pelo rei ou pelo druida, mas sim a ênfase e a importância da comunidade nesses ritos sagrados coletivos).

Eis porque é impossível para quem quer que seja dizer-se sacerdote sem haver uma comunidade para que ele a represente junto ao Sagrado.

Se por um lado na sociedade celta o rei é a personificação física da comunidade, devendo zelar por seu bem estar, sua defesa, sua alimentação, por outro o druida é o representante espiritual – e também mental - dessa comunidade, estando sob sua responsabilidade a educação, a preservação da história, a distribuição da justiça para todos. E assim como não há rei sem reino, não há druida sem comunidade.

Ou seja: entre os celtas, a função sacerdotal é exercida pelo druida num contexto coletivo. Não existe sacerdócio sem coletividade. Essa relação Rei-Druida-Comunidade é tão profundamente arraigada na filosofia druídica que se preserva por séculos até nossos dias, com a sobrevivência das Lendas Arthurianas em que Arthur é o Rei, Merlin o Druida e Camelot a Comunidade - o Reino.

Merlin and Arthur by alanlathwell - Merlin and Arthur by alanlathwell
Merlin e Arthur em ilustração de Alan Lathwell

Aprendendo com a História

Para se entender uma religião em sua verdadeira essência é indispensável que se compreendam a psique e os valores da sociedade que segue (ou seguia) essa religião. A comunidade druídica moderna deve estar atenta às preciosas informações que os registros históricos nos fornecem acerca da sociedade celta, pois é através desses estudos acadêmicos que se pode traçar um retrato um pouco mais preciso de quem eram de fato os druidas, o que faziam e no que acreditavam - para, assim instruídos, tentarmos resgatar o quanto for possível do druidismo histórico para nossos dias. Isso vale para todos os druidas responsáveis e também para os Reconstrucionistas Celtas.

Ao citar acima a frase do Dr. Simon James, enfatizo a importância do druida na sociedade celta: uma importância que inclui a função do sacerdote, mas que vai muito além dela, equiparando os druidas celtas, a guiza de comparação, aos modernos juristas, ministros de estado, diplomatas, médicos, videntes, historiadores, professores, curandeiros…

Múltiplas funções, diferentes formas de contato com o Divino

O caminho druídico, como se sabe, é vasto e diversificado - para cada uma das três ‘ramificações’ de Bardo, Ovate e Druida correspondem incontáveis subdivisões e especializações. Assim, podemos afirmar que, com base no quanto já visto, o sacerdócio jamais pode ser definido como a única função do druida. Da mesma forma, e pelos mesmos motivos, em tempos modernos o sacerdócio jamais pode ser visto como a única forma de Relação com o Sagrado dentro do druidismo.

E voltando a um dos primeiros pontos deste ensaio, isso se deve justamente ao fato de que, do ponto de vista celta, o Sagrado está em toda a parte: nas paisagens externa e interna, no coletivo e no individual, em tudo que é e que há.

Eis porque, no druidismo, o contato com o Sagrado não precisa de um templo - todo lugar é sagrado - nem de intermediários, podendo acontecer em qualquer lugar, a qualquer momento. Evidentemente, os quatro festivais celtas são momentos especiais que, hoje como ontem, envolvem toda a comunidade. E, nesses eventos, a figura do sacerdote - fosse ele o rei ou o druida - era importante por seu preparo e treinamento para mediar esse contato em momentos tão ricos e densos, nos quais a comunidade - e não o indivíduo - era o foco.

O Sagrado além do Ritual

As celebrações sazonais celtas eram momentos importantes para a comunidade, celebrando sua diversidade, promovendo o contato com o Sagrado e, através desse contato, propiciando justiça, fartura, alegria e unidade a toda a coletividade. Por tudo isso, é impossível dissociar o druidismo dessas celebrações.

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Um banquete celta

Nos outros momentos, contudo, o Sagrado poderia ser igualmente acessado por qualquer indivíduo - na prece, no oráculo, na oferenda votiva, no contato íntimo com esta ou aquela a divindade.

Treinamento, Experiência e…

Se ainda pairam dúvidas sobre a questão sacerdotal, recordemos que os celtas viveram na Idade do Ferro e que sua sociedade guerreira era pautada na Honra e no respeito obtidos através da batalha. Nesse cenário, imaginemos uma comunidade formada exclusivamente por sacerdotes. Por mais que saibamos pelos registros históricos que druidas participavam de combates, é difícil imaginar qualquer nível de sucesso numa luta armada entre um druida arquetípico - de idade avançada, com longas barbas e túnicas - contra guerreiros que faziam do combate seu ofício, com anos de treinamento e experiência em técnias de luta.

Pois esses mesmos fatores que fazem de alguém um grande guerreiro - treinamento e experiência - são capazes de tornar alguém um grande sacerdote. Um grande ferreiro. Uma grande curandeira. Um grande poeta. Uma grande escritora. Um grande professor. Uma grande comerciante. E assim por diante.

Treinamento e experiência: o que faz, então, que alguém seja um grande sacerdote mas não um grande guerreiro, ou vice-versa? Eis que surge o terceiro ingrediente do sucesso: a Vocação.

Celtic Janus Boa Island - Celtic Janus Boa Island
Um “ídolo” celta em Boa Island, Irlanda

Vocação

A vocação, como a própria palavra nos diz, é a voz (interior ou divina, pouco importa - no fundo são o mesmo) que nos diz o que somos, para que servimos.

É o chamado para a nossa aptidão, para a função que desempenhamos sem grande esforço, quase que naturalmente. Nada tem a ver com os desejos de nossos pais ou mesmo com aquilo que cremos ser mais interessante para nós: por vezes, nossa vocação é algo surpreendentemente “diferente” de nós, com o qual temos de fazer as pazes.

Encontrar a própria vocação é algo fundamental para o desempenho de qualquer função - em especial aquelas que envolvem as sagradas tarefas de contato e intermediação com o universo divino. Descobrir a vocação pessoal - artista, atleta, bardo, guerreiro… - é um processo íntimo e pessoal que exige honestidade.

Parece claro agora que, no druidismo, uma verdade é inquestionável: nem todos nasceram para ser sacerdotes. Mas todos nasceram para viver o Sagrado em suas vidas.

A percepção tipicamente druídica que vê o Sagrado em tudo ajuda a devolver a sacralidade a todos os outros ofícios - médicos, juristas, historiadores, professores…

No próximo artigo, exploraremos outras formas de contato com o Sagrado que podem ser muito mais produtivas - ao indivíduo e ao próprio espírito do druidismo - do que um sacerdócio espúrio, praticado por aqueles que o fazem simplesmente por desconhecerem quais são suas reais vocações.

Até lá, procure conhecer-se melhor - sem personagens nem fantasias ou desejos - para, assim, ouvir a voz divina que lhe mostra qual sua real vocação dentro do druidismo.

No fim das contas, pode até ser que a sua seja… o sacerdócio.

Claudio Quintino Crow é escritor, músico e instrutor de druidismo e cultura celta.
www.claudiocrow.com.br

Sobre sonhos, ilusões e mentiras

Momento de felicidade plena; uma viagem, uma paixão, um presente…

happiness - happiness

Nessas situações, o mundo parece girar de forma diferente: somos o centro, tudo gira num ritmo perfeito, aparentemente planejado pelos deuses para que desfrutemos desse momento.

Tudo é mágico, perfeito, como se fosse… um Sonho.

Como tudo no universo, o momento passa. Por ser sempre mágica, a vida segue - ela não pode ficar parada para que prolonguemos artificialmente a sensação boa.

A viagem acaba, a paixão esfria, o presente cai no trivial…

Tendemos a achar que tudo que antes era poético, belo, puro, agora parece exagerado, falso, ilusório.

A viagem nem foi assim tão boa, o objeto da paixão nem era assim tão especial, o presente nem era assim tão belo…

Mas afinal, depois de passado o momento encantado, qual é a verdade: a beleza do sonho ou a melancolia da ilusão?

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A determinar a resposta, como sempre, a nossa opção individual.

Quando a vida nos traz um momento desses, em que o sonho parece se desfiar e vergar sob o peso da realidade, a maioria de nós tende a reagir de forma semelhante: como a Raposa diante das uvas, nós desdenhamos de nós mesmos, desprezamos o sentimento e a importância da emoção vivida.

Covardemente, chamamos o Sonho de Ilusão.

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Pura auto-defesa: não queremos nos mostrar vulneráveis diante do “insucesso”, do “fracasso”, do “fim”.

Pura demagogia, também: afinal, a vida é feita de mudanças, e se a importância de algo que antes era belo e rico dá lugar a outras coisas, ou se é posta em perspectiva após um tempo, ou ainda se simplesmente não temos, por qualquer razão, como manter acesa a chama mágica do que era um sonho, é porque tudo muda, tudo evolui, tudo se transforma.

E é aqui que caímos na trivial armadilha: a experiência bela deixa de ser Sonho, agora a rotulamos como Ilusão… como se tivéssemos de alguma forma estado ‘cegos’ à ‘realidade’.

Por covardia, pelo comodismo da vitimização, diminuímos a a importância da experiência, anulamos sua beleza, ignoramos os ganhos…

Reduzimos o Sonho - motivador, perfeito, divino - a um momento de fraqueza, de confusão. “Não as quero comer, estão verdes.”

04 ugly dream - 04 ugly dream

Triste forma de lidar com a Sacralidade dos momentos….

A vida é feita de sonhos. Alguns tornamos realidades, outros não. Assim é. Assim somos. Assim sonhamos.

Nada é mais saudável do que o Sonho - ao sonhar, damos voz a nossas almas em seus anseios mais profundos. Ao sonhar, reconhecemos a magia e a sacralidade da vida e de suas intermináveis interconexões.

Quando tornamos reais nossos sonhos, quando os vivenciamos em momentos que desafiam a lógica do tempo, então tocamos profundamente a sacralidade da própria vida. Vivemos a bem-aventurança.

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Como tudo passa, alguns sonhos ficam para trás - para dar lugar a outros, ou para amadurecerem, ou para se reciclarem e assumirem novas formas.

Mas Sonho e Ilusão são coisas distintas: confundir um com o outro é danoso, tira da vida a poesia, anula a magia. Desrespeita o momento mágico e sagrado vivido. Fecha o caminho para novos momentos mágicos.

Nunca um Sonho vivido deve ser chamado de Ilusão.

E jamais um Sonho vivido é uma mentira.

Se ele passou, se ele acabou, é porque cumpriu sua função e deve transformar-se noutra realidade. Mas nunca numa mentira.

Sonhos são o alimento da alma;

Ilusões são o alimento da confusão;

Mentiras são o alimento da miséria.

Após ver frustradas as suas tentativas de saborear as belas uvas maduras que pendiam da videira, a Raposa disse: “não as quero, estão verdes”.

Transformou o Sonho em mentira: privou a alma de seu alimento, envenenou-a com a Miséria.

Precisamos fazer as pazes com o Sonho.

Eu vivo belos sonhos. E se deles desperto, é porque assim deve ser. Nem por isso, ao lembrar deles eu os vejo como mera ilusão, menos ainda como mentira. Ao contrário: é o reconhecimento posterior da magia e da sacralidade do Sonho que preserva sua força e nos torna mais aptos a viver em eterna transição entre o Sonho e a Realidade.

Mas não são ambos um só?

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Perigosa é a Liberdade

Perigosa é a Liberdade - assim, tão desejada.

Perigosa é a Liberdade de verdade. Ansiada sem ser compreendida.

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A única Liberdade verdadeira é a ausência total de vínculos;

Liberdade de verdade é o não-vínculo.

Só está livre quem não possui vínculos - com nada, com ninguém.

Trabalho, família, amor. Nada.

Nem consigo mesmo, nem com a vida.

Assim, o não-vínculo é o não viver.

Liberdade de verdade é não viver.

É deixar de ser; é não ser.

0 emptiness by CanisLupusMoon - 0 emptiness by CanisLupusMoon

Quem é livre, portanto, nada é. Nada pode ser.

Ser verdadeiramente livre é, simplesmente, não ser.

Perigosa é a Liberdade.

0 love cage by alan balisi - 0 love cage by alan balisi

Não quero a Liberdade de verdade.

Tudo que mais quero são vínculos:

De amor, de ódio, de prazer, de dor.

De viver. De morrer.

bird - Chris Ybarra - bird - Chris Ybarra

Perigosa é a Liberdade.

Cuidado com o que pedes:

Corres o sério risco de ser atendido.

0 dead bird - 0 dead bird

Não, não quero a Liberdade de verdade.

Quero vínculos que me liguem a tudo.

Quero amar e viver e sofrer e morrer.

Quero não ter a Liberdade para por ela poder ansiar -

e assim, apreciar a jornada.

Até terminar.

Livre.

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“A Bênção e a Linhagem da Deusa Brighid” (Prece irlandesa)

1o. de Fevereiro…

Dia tradicionalmente associado na Irlanda a BRIGHID - santa cristã, deusa celta, padroeira da Irlanda, Senhora da Poesia, das Artes e da Inspiração, dos mistérios da geração e da nutrição da vida, da Tríplice Chama, da cura, do amor por aquilo que vive…

SaintBrigid 1 2 - SaintBrigid 1 2

1o. de Fevereiro…

Dia de honrar essa deidade ancestral, agradecer pelos seus presentes a nossas vidas, por sua presença em nossas vidas.

brighid 1 - brighid 1

Nesta data, Brighid derrama suas bênçãos sobre nós - especialmente sobre aqueles que sabem ouvir sua voz.

st brighid 2 - st brighid 2

A prece a seguir reúne trechos de várias versões conhecidas de preces a Brighid - temas pagãos e cristãos se mesclam e se misturam, numa única linguagem, em perfeita e sagrada harmonia:

Ancestralidade… presença… proteção… inspiração…

Brighid 2 1 2 - Brighid 2 1 2

“A Bênção e a Linhagem da Deusa Brighid”

Brighid, filha do Dagda, filha de Dugal o Marrom, Filho de Aodh, Filho de Art, Filho de Conn, Filho de Criara filho de Cairbre filho de Cas, Filho de Cormac, Filho de Cartach Filho de Conn.

Brighid do manto,
Brighid da pilha de Turfa para a lareira
Brighid dos cabelos trançados,
Brighid do Augúrio.

Brighid dos pés alvos,
Brighid da metalurgia
Brighid das alvas palmas
Brighid da Poesia.

Brighid a Deusa
Brighid do Espírito
Brighid dos Montes Feéricos
Brighid da Essência.

Brighid da Lua
Brighid da Cura
Brighid do fogo comunal
Brighid das Mulheres Feéricas

A cada dia e noite que recito a linhagem de Brighid,
Não serei morto, não serei ferido, não serei aprisionado, não serei despedaçado.

Nenhum sol me queimará, nenhum fogo me queimará, nenhum raio me queimará, nenhuma Lua me queimará.

Nenhum rio me afogará, nenhum mar me afogará, nenhuma enchente me afogará, nenhuma água me afogará.

Este é o dia de Brighid, e a Rainha virá do Monte. Eu não tocarei a Rainha, nem a Rainha me tocará.

O Dia da Festa de Brighid, a filha de Ieabhrach virá do Outeiro. Não tocarei a filha de Ieabhrach, nem ela me prejudicará.

Hoje é o Dia de Brighid: a Serpente surgirá do buraco. Eu não molestarei a Serpente, nem a Serpente me molestará.

Tradução © 2007 - Claudio Quintino Crow

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Filhos Pródigos, Heróis, Tradições e Traições

Filhos Pródigos, Heróis, Tradições e Traições

(este artigo é um desenvolvimento a partir das ideias originalmente contidas em meu outro texto “Então você quer evoluir?” publicado a 20 de abril de 2009)

Do ponto de vista moral, sempre achei a conhecida passagem mitológica do “Filho Pródigo” um tanto duvidosa. O protagonista se mostra egoísta, ganancioso, irresponsável e inconseqüente, mas depois de todos os seus equívocos retorna para casa; em seu retorno, não só é absolvido pelo pai como é por ele celebrado – a despeito dos protestos do irmão, que ao ficar em companhia do pai, aparentemente não fizera nada de errado.

Prodigal Son 01 - Prodigal Son 01

Pela ótica cristã, o perdão é algo nobre e sempre enfatizado. Mas por outro ponto de vista, igualmente cristão, o desvio da virtude – ou seja, o pecado – é algo a ser evitado e condenado.

(Eis porque sempre atribuí essa enorme contradição à já proverbial ambigüidade dos ensinamentos do cristianismo. Essa ambigüidade, contudo, não deveria ser vista como negativa – pois não somos todos nós ambíguos? Não é a própria natureza ambígua? Não é o próprio Deus cristão - como todos os outros deuses - ambíguo em sua complexidade?)

No fim das contas, a ambigüidade – como a beleza - só existe nos olhos do observador. Só existe ‘certo’ ou ‘errado’, ‘bom’ ou ‘ruim’ quando observamos os fatos a partir de nossos próprios conceitos e preceitos.

Num caminho de cura – tanto dos outros como a de si mesmo -, despir-se desses conceitos e preceitos é fundamental para que haja justiça e justeza nos atos e sentimentos. Mas graças ao ilusório conforto que ater-se a esses preceitos nos traz (é sempre mais fácil agir e pensar de acordo com o ‘senso comum’), poucos são os que se dispõem a quebrá-los – e dentre estes, menos ainda são os que o conseguem de fato.

A libertação pessoal desses preceitos e conceitos é um processo brutal de ruptura – uma verdadeira ‘iniciação’, no sentido mais profundo da palavra, em que deixamos para trás aquilo que não nos serve para receber o novo, o transformador. Implica em deixar de lado o que “os outros” pensam e acham e sentem para, enfim, pensar e achar e sentir por si mesmo – renascidos para o mundo e para si mesmos. A serpente que, para crescer, abandona a pele; a ave que, para nascer, rompe a casca do ovo. Crescer, nascer: mudar, transformar.

freedom - freedom

Como dito, é uma ruptura brutal. Brutal. Mas é uma ruptura que não é destruidora, porque ela traz o potencial da verdadeira e profunda transformação.

RITO DE PASSAGEM

Nossa percepção da vida, quando entra nos trilhos da ‘normalidade’ e do ‘senso comum’, fica embotada e turva pela ‘familiaridade’ que implantamos ao tempo. A familiaridade é tão poderosa que nos vicia sem que sequer percebamos – de corpo, mente e alma, passamos a procurar aquilo que conhecemos, que é confortável, que é familiar. Atemo-nos ao corriqueiro. Instala-se a rotina.

Dessa forma, quando a novidade surge em nossas vidas, imediatamente desconfiamos dela – ao mesmo tempo em que somos por ela atraídos.

Aquilo que é “novidade” traz uma percepção diversa do tempo cronológico. Diante daquilo que é novo, tudo é diferente - e é tão grande a excitação e o encantamento que a novidade gera que temos a impressão de que o tempo passa de outra forma – e de fato, é isso o que o corre: o tempo passa de forma diferente porque se torna sagrado.

A percepção do Tempo Sagrado é a chave que torna toda a Vida Sagrada.

sacred time - sacred time

Não por acaso, em todas as tradições espirituais e culturais ao redor do planeta, e até mesmo em nossa sociedade pretensamente ‘laica’, a passagem do tempo em nossas vidas é marcada por situações como formaturas, menarca, casamento, serviço militar, menopausa, paternidade, aposentadoria, etc - eventos que são como esboços dos ritos de passagem que assinalam mudanças em nossas vidas - na maioria das vezes, infelizmente, desprovidas do caráter sagrado.

Sem a sacralidade dos ritos de passagem, nossas almas não percebem as mudanças com a intensidade devida.

Sem sacralidade, o tempo simplesmente passa. Nossas vidas passam. Tudo passa. Nada nos toca como deveria, nada nos satisfaz.

A consequência é que, sem sacralidade, as ‘novidades’ em nossas vidas não nos tocam a alma - e o milagre do tempo deixa de ser milagre: se esgarça, torna-se profano, sem significado. Perde o senso de Sagrado.

Sem sacralidade, tornamo-nos refratários às transformações que fazem parte de nossas vidas - e da Vida como um todo.

Isso exige a renovação da sacralidade - algo que ocorre através do Rito de Passagem.

SOLVE ET COAGULA

Um dos mais poderosos ritos de passagem, encontrado em diversas religiões, é o retiro. Retirar-se do mundo é abrir o portal para a redescoberta – e a reinvenção – de si mesmo.

Somente quando ficamos livres do ‘familiar’, somente na solidão, é que a alma se põe vulnerável a ponto de destruir-se - claro, sempre com o intuito de reconstruir-se. Entra em ação o princípio alquímico do “Solve et Coagula“, dissolver e coagular, desfazer para recriar.

Alchemical Lab - Alchemical Lab

A água do batismo, os banhos rituais, a sauna xamânica - todas essas práticas nos põem em contato com o “solvente universal”: a Água, símbolo da fluidez e da ciclicidade de nossas emoções. Ao dissolvermo-nos na Água, abrimos caminho para a criação de uma nova existência, de uma nova percepção e, como resultado, de uma nova relação com o que nos era familiar.

drop - drop

Quando nos dispomos à “dissolução” pela Água, acessamos o espaço individual que tanto – e tão voluntariamente – negamos a nós mesmos, em nome da ‘Tradição’, da convenção. A ideia da dissolução daquilo que somos - ou cremos ser - é desafiadora demais para ser aceite com leveza. Mas acima de tudo, negamos esse espaço individual - nosso eremitério, o casulo transformador - por nossa ignorância acerca da força, necessidade e importância desse processo individual.

Só após o “solve” é que o “coagula” pode agir - só quando dissolvemos nossas crenças e conceitos é que podemos nos reconstruir, curar:

“I had to send her away to bring her back again” (Jeff Buckley, Morning Theft)

Na mágica peça teatral chamada “A Alma Imoral”, adaptada pela atriz Clarice Niskier a partir da obra homônima do Rabino Nilton Bonder, um tema avassalador em sua argumentação e importância é o do conflito Tradição X Traição. Poucos de nós parecem se dar conta de que há mais do que um radical lingüístico comum a unir essas duas palavras, esses dois conceitos.

alma imoral 1 - alma imoral 1

A começar pelo fato de que a Tradição é, aos olhos do mundo, rica e bela. É o legado, a herança, a identidade - que se mantém geração após geração.

A Traição, por sua vez, é a ruptura, a quebra, o mergulho no desconhecido.

(Antes mesmo de assistir à peça e sem nunca ter lido – assumo – a obra do rabino Bonder, eu havia escrito um texto em que cito Milan Kundera, Joseph Campbell e outros que falam da traição, entitulado “Então você quer evoluir?”.)

Ora, se a Traição é quebra, então ela é e deve sempre ser indesejável – nas palavras do próprio Kundera, “a felicidade é o desejo da repetição”. Mas há aqui uma semente de contradição – poderosa como aquelas mencionadas no início deste texto - porque a Traição é a quebra que interrompe a Tradição. E a Tradição é o conforto do familiar.

Mas pelo quanto visto acima, não é a familiaridade a própria porta que se abre para que o Profano invada a Vida e lhe tire a Sacralidade?

Se assim for, então a Tradição não é assim tão boa e positiva - nem a Traição é assim tão má e negativa…

A Traição em questão pode ser a do casal, entre sócios ou entre amigos - mas também é Traição qualquer ruptura com o “status quo vigente”.

Ao deixar para trás a Tradição, o Traidor fica só. Quase sempre, marginalizado.

Na maior parte do tempo, isso desespera. Mas nalguns breves momentos, essa solidão pode servir como retiro - o Eremitério. Ou seja, também como visto acima, como porta para o conhecimento de si mesmo. E pelo conhecimento de si mesmo, a Cura. E pela cura de si mesmo, a possível cura da comunidade – os que coabitam o Círculo Sagrado da ‘Pertencência’ (neologismo que adotarei doravante).

circular 1 - circular 1

Traidor é quem quebra a Tradição

Sufocado pelo desejo de expansão e pelo fascínio do novo, o Traidor é aquele que rompe os limites daquilo que é familiar, é aquele que abandona – quase nunca alegremente – a aldeia, o Círculo Sagrado da Pertencência.

Logo ele se vê obrigado a encarar – quase sempre sozinho – o sinuoso e perigoso Caminho que cada vez mais o afasta do conforto e da familiaridade do Círculo.

hermit - hermit

As principais armadilhas, os mais perigosos vilões no Caminho de quem abandona o Círculo e a Tradição assumem a forma de sensações: a sensação de abandono, a de impotência, a de desesperança.

De modo geral, é só depois de deparar-se com essas sensações, enfrentando-as com a força da desesperança, que o Traidor – a partir de agora chamado de Herói – pode ansiar pela Cura. É do desespero do desapego e da desapropriação que vem a coragem de ousar.

evey - evey

E a coragem de ousar brota da rebeldia e da marginalidade de ser aquele que rompe as leis - aquele que quebra a Tradição. O que trai o mundo.

Como no texto do Rabino Bonder o filho que sai de casa atrás de seu destino “trai” - à primeira vista - os carinhos, cuidados, esforços e planos de seus pais, da mesma forma quem rompe a Tradição renova sua energia, renasce, novamente adolescente, novamente um jovem que “foge de casa” em busca de sua própria aventura.

“O BOM FILHO À CASA TORNA”…

O tal “Filho Pródigo” sempre me intrigou: como premiar o que, aos olhos de todos, errou ao trair o pai, em detrimento do filho que obedientemente ficou? Parece um desserviço, parece o prêmio ao erro. Mas “erro” ou “acerto”, como sabemos, é atribuição de valores…

O filho que abandona a casa é o Herói, que parte em sua jornada solitária rumo ao novo, ao desconhecido, ao não-familiar, ao perigoso, ao desafiador.

Tendo sido capaz de encarar esses desafios, é aquele que, com a alma purificada, atinge a percepção do que é real e se torna capaz de encontrar o Graal.

grail 1 - grail 1

Nas palavras de Joseph Campbell, é o Herói que encontra o ‘Elixir da Cura‘ e retorna à aldeia - o Círculo, a familiaridade - com o dom da transformação.

Quem opta por ficar no Círculo da Pertencência não corre perigo – e, portanto, não renasce. Acaba por cair escravo do tempo profano, não vive sua história sagrada – opta por não ser Herói.

Tudo isso é muito belo em palavras escritas, mas extremamente doloroso de se sentir na pele - e muito mais doloroso de se sentir na alma. Não é por acaso que em toda “Jornada do Herói” o protagonista tem um momento de hesitação, de relutância. Segundo Campbell, o estágio do ‘Herói Relutante’ ocorre quando, diante da tarefa assustadora que se lhe descortina, o futuro Herói se sente pequeno, incapaz de encarar o desafio.

Nada mais saudável e natural: se não houvesse a relutância, ele seria louco, insano mesmo - e não herói.

fool - fool

Pois a relutância do herói é sua consciência de que algo grande está por morrer - e toda morte traz dor. O medo da dor é, muitas vezes, o medo do julgamento – “o que vão pensar de mim, o que os outros vão dizer?”

Novamente, surge aqui a importância da solidão, do retiro: longe dos outros, seus pensamentos e palavras não causam mais medo. Perdem a força. Ganha-se a resistência e o sagrado Senso de Propósito que, mais que espadas ou escudos, é a verdadeira e principal “arma” do Herói.

Sem medo de parecer fraco, encara-se a dor. E encarando a dor, pode-se viver a Transformação.

A sabedoria não vem durante, mas depois da dor”. (Kelma Mazziero)

A rebeldia do Herói – aquele que ousa sair do Círculo da Pertencência e rompe com a Tradição – o transforma, aos olhos do mundo, em um Traidor. Mesmo que após o processo ele ganhe status de Herói, durante o processo ele é meramente um traidor. E assim como “a sabedoria não vem durante, mas depois da dor”, o reconhecimento do gênio e do herói não vem durante a descoberta e a transformação, só depois de findo o processo – isso quando vem…

A grande comunidade não nutre especial admiração pelos rebeldes e ousados. A Geni da canção de Chico Buarque costumava ser execrada, é santificada quando salva a comunidade do tirano do Zepelim e volta a ser execrada quando finda a aventura. Ela ousou ser diferente, morreu e renasceu, e mesmo assim ninguém a entendeu – preferiram voltar ao confortável e medíocre “julgamento”, que tem por base os valores da Tradição, os princípios familiares a todos, caem na vala comum do “senso comum”.

Não são, então, heróis - são anti-heróis.

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TRAIR A TRAIÇÃO

Mas a rebeldia do Herói/Traidor tem mais de um uso: se ela transforma o ousado em Herói, impulsionando-o ao caminho, mais heróico ainda esse Herói se torna quando, após ter desempenhado sua aventura transformadora e crescendo como indivíduo renovado pela ressacralizacão épica de sua vida, ele opta por abandonar a estrada do desafio – a própria “mãe”, por assim dizer, do Herói, já que foi a aventura na estrada que fez dele o que ele agora é.

- Sair do Círculo da Familiaridade é trair a Tradição;
- Retornar a ele após a Jornada é trair a Traição.

Ao abandonar a estrada - a linha reta - ele só tem um destino: o círculo novamente. O mesmo círculo que, nalgum momento no passado, mostrou-se estreito demais para que nele o herói permanecesse.

Retornar à “pequenez” do círculo por vezes exige mais coragem do que a coragem inicial de deixá-lo. Porque transformado, o herói jamais verá o círculo com os mesmos olhos – e a derradeira armadilha é justamente querer retornar para as coisas familiares como eram antes: pois isso é impossível.

medieval village - medieval village

E é impossível porque, após a solidão, o exílio e a Traição da Tradição, o protagonista tem uma percepção toda nova do que é o Círculo, de quem mora nele, que papéis são nele desempenhados e qual o seu próprio novo papel nesse local.

Se ele tiver sabedoria, poderá usar sua recém adquirida força – o ‘Elixir’ de Campbell - para melhorar ainda mais o Círculo. Sua nova visão, sua perspectiva transformada fará com que ele veja beleza onde antes nada havia, sinta a sacralidade no que antes parecia profano, identifique problemas com antecipação e, melhor ainda, com propostas de Cura.

Então a traição inicial – abandonar a aldeia, a casa, o círculo – é redimida por uma Nova Traição – abandonar a estrada, a aventura, a linha reta.

ESPAÇO PARA A TRAIÇÃO

Contract Manuscript 1 - Contract Manuscript 1

“Um contrato entre dois indivíduos”, disse o rabino Bonder, “é uma coisa muito perigosa.”

De fato: contratos são acordos – profissionais, matrimoniais, governamentais. Se os indivíduos mudam tanto quanto descrevemos acima – pois se não mudam, deveriam mudar – então um contrato só é justo quando também ele se mostra flexível o bastante para acomodar, com respeito e honra, as tantas transformações por que passam seus celebrantes.

Acordos e contratos não deveriam ser vistos como “leis” rígidas, com cláusulas tão imutáveis quanto a Tradição; para o Rabino Bonder, esses acordos entre almas devem ser flexíveis e leves para permitir a quebra da Tradição - pelo bem das partes.

Nem toda quebra de contrato, nem toda ruptura é positiva - mas muitas podem ser: quando delas vem crescimento e Cura

Quando depois de trilhar o Caminho, o Herói retorna ao Círculo…

Quando o Filho Pródigo retorna.

Faz sentido agora.

welcome - welcome

Novidades para 2010!

1Voz do Corvo - 1Voz do Corvo

Olá amigas e amigos,

Com o otimismo revigorante do início de um novo ano civil, e após merecidas férias - de corpo, mente e alma! -, retomo as atividades deste blog trazendo as novidades para o ano de 2010, em diversas áreas de meu trabalho – música, cursos, palestras, internet

Confira abaixo o que vem por aí!

- MÚSICA:

2009 foi um ano intenso, em que realizei o velho sonho de divulgar a música irlandesa – essa riquíssima e influente herança cultural da Irlanda – ao lado de músicos competentes e amigos queridos.

Foram diversos shows memoráveis - St. Patrick’s Day no O’Malley’s, Festa do Imigrante, Centro Cultural São Paulo, Festival Cara Irlanda, Bloomsday no SESC

1memorial2 - 1memorial2

Olhando para trás, desde 2008, quando surgiram as primeiras participações nos shows dos amigos da Dundalk e da Merrow, o caminho estava delineado: era natural que em 2009 nós nos juntássemos de forma mais definitiva. E assim ocorreu, com minha participação efetiva como integrante da Merrow. Foi um período muito rico em criatividade e expressão da nossa inspiração, em que juntos pudemos retribuir, através da música, toda a inspiração que recebemos das terras irlandesas.

Questões pessoais e as minhas atividades como instrutor de druidismo e cultura celta, contudo, restringiram meu já escasso tempo, e no final do ano optei, até para não prejudicar a trajetória da Merrow, por deixar a banda – mas não a amizade, claro.

Em 2010, tenho em vistas alguns projetos musicais variados – nem todos envolvendo música irlandesa… mais novidades nos próximos meses!

- NOVO CURSO DRUIDISMO:

Desde 2008, os prazeres da paternidade e da vida familiar me fizeram reduzir minhas atividades como palestrante e instrutor de druidismo e cultura celta, mas não fiquei parado!

Em 2009, muitas pesquisas e desenvolvimentos e muitos contatos importantes lançaram nova luz sobre aspectos fundamentais da história, das práticas e da filosofia do druidismo moderno e, especialmente, de sua profunda aplicabilidade em nossos tempos, como um caminho espiritual e filosófico capaz de nos trazer melhor qualidade de vida.

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O resultado dessa reformulação será um novo curso de druidismo, a ser iniciado provavelmente em maio, com uma abordagem ainda mais profunda e transformadora para aqueles que querem não só conhecer, mas principalmente vivenciar a herança espiritual dos celtas através do druidismo moderno – como sempre, claro, sem mistificações e fantasias, mas com responsabilidade, coerência e respeito.

Esse novo curso ainda está em processo de formatação, mas seguramente será, se comparado com os cursos ministrados até 2009, uma grande evolução.

- PALESTRAS:

Como já dito, a paternidade e a vida familiar limitam minha disponibilidade de tempo – e, com uma linda filha de dois anos, limita também minha energia! Rsrsrs

1III Symp - 1III Symp
Palestrando no III Symposium of irish Studies, Universidade Federal da Bahia, 2008.

Por conta disso, tenho focado meu tempo e energia nos cursos que ministro, o que me obriga a recusar alguns convites para apresentar palestras e workshops. Quando surgirem boas oportunidades, porém, terei enorme prazer em poder compartilhar com os interessados o resultado de meu trabalho.

- INTERNET:

1net - 1net

Ok, aqueles que me conhecem de perto sabem que sou um “bicho-do-mato” quando o assunto é Internet… até tentei manter páginas virtuais em sites como Facebook e Multiply - e até mesmo arrisquei `brincar’ com o Tweeter -, mas logo percebi que isso tudo não é para mim… já fazia um ano que eu havia deixado o Orkut e agora estou pouco a pouco saindo dessas outras `comunidades virtuais’, por uma razão muito simples: acredito no druidismo como um caminho de ação, de integração física real, e não virtual.

Assim, ao me afastar desse universo cibernético, encontrei-me de repente com mais tempo para pesquisar, praticar o druidismo em meu quintal com minhas plantas, meus bichos e minha família, reelaborar meus cursos…

Essa opção me trouxe também mais tempo para dedicar ao aprimoramento de meu website (do qual falo abaixo) e meu blog oficial, blog.claudiocrow.com.br.

Claro, perde-se o contato com muita gente boa (alguns que, estranhamente, só aparecem no mundo virtual, mesmo que morando na mesma cidade!). Mas ganhei bastante em qualidade de vida - e convido a todos a experimentarem passar menos tempo em frente a teclados e monitores e mais em parques, jardins, quintais… o resultado sempre é positivo.

- CLAUDIOCROW.COM.BR:

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É claro que muitas das pesquisas e descobertas acima mencionadas em breve serão compartilhadas no website claudiocrow.com.br – no momento, o site continua acessível, mas desatualizado. Nos próximos dias, já teremos novidades!

Recentemente, comecei a organizar novas seções para dar a claudiocrow.com.br ainda mais conteúdo, acessível a todos os que desejam conhecer mais sobre cultura celta e irlandesa, druidismo, música irlandesa, eco-espiritualidade e muito mais.

Como se vê, se 2009 foi cheio 2010 promete muito mais!

A todos que têm acompanhado meus trabalhos nestes tantos anos, agradeço sempre pelo interesse e pelo carinho - sempre tenho todos vocês em mente ao redigir e publicar textos, elaborar meu website e apresentar meu trabalho.

Afinal, pode parecer repetitivo, mas eu realmente acredito na validade de minha surrada frase…

“Ter acesso ao conhecimento é um direito de todos; transmitir conhecimento é um dever de quem o tem.”

1acorn - 1acorn

Um lindo, saudável, próspero e realizador 2010 a todos!

Claudio Quintino Crow - Jan. 2010

SÁBADO, 07.11 - IV IRISH FEST no St. John’s Irish Pub!

Está chegando, é neste sábado, 07.11!

A partir das 17h e até o fim da noite…

A IRLANDA É NO ST. JOHN’S PUB!

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Estarei por lá o dia todo, com palestra sobre a MAGIA DA IRLANDA, participando do SARAU POÉTICO e mais:

MUITA MÚSICA IRLANDESA!!!!!

seisiun - seisiun

- Drunken Merrows;
- DUNDALK;
- MERROW;
- KETAMINA (Irish punk);
- ULTRAVIOLET (U2 cover)!

Tudo isso por somente R$25,00 (homens) e R$20,00 (mulheres) - já incluindo uma pint de GUINNESS!

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Se você quer viver a alegria da Irlanda e sua cultura, venha participar - se você já faz parte dessa tribo, venha rememorar!

17h - palestra:

Irlanda, Mito & Magia

Dos druidas celtas ao folclore moderno, da poesia dos bardos à literatura contemporânea, dos santos cristãos à música de nossos dias, a Irlanda é uma terra onde a magia está em toda parte, emanando da paisagem sagrada para as almas dos que a acessam.

Nos vemos lá!

St. John’s Irish Pub
R. Itapura, 1327 - Tatuapé - São Paulo
Fones: 2295-0677 / 9626-4335
www.stjohns.com.br

IRISH FEST POSTER - IRISH FEST POSTER

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